A exposição a raios UV aumentaram ao longo dos últimos 30 anos, mas estabilizaram desde meados de 1990

Posted on terça-feira, março 23, 2010 by Walisson H. C.

Cientistas da NASA analisaram 30 anos de dados de satélites e constataram que a quantidade de radiação ultravioleta (UV) que atinge a superfície da Terra aumentou acentuadamente nas últimas três décadas. A maior parte do aumento ocorreu em latitudes médias e altas, havendo pouco ou nenhum aumento em regiões tropicais.

A nova análise mostra, por exemplo, que em uma linha da latitude de 32,5 graus - que passa pelo Uruguai no hemisfério sul, os níveis de UV de 305 nanômetros subiram cerca de 6 por cento em média, desde 1979.

A radiação ultravioleta pode danificar e distorcer a estrutura do DNA. Crédito: NASA's Earth Observatory / David Herring. Clique para ver a imagem em tamanho original.

O principal culpado: redução dos níveis de ozônio estratosférico, um gás incolor que age como protetor solar natural da Terra protegendo a superfície contra a tão prejudicial radiação ultravioleta.

O achado reforça as observações anteriores que mostram que os níveis de UV estão se estabilizando depois que os países assinaram um tratado internacional que limita as emissões de gases que empobrecem a camada de ozônio em 1987. O estudo também mostra que o aumento da nebulosidade no hemisfério sul durante o período de 30 anos tem retido UV.

Jay Herman, um cientista do Goddard Space Flight Center da NASA em Greenbelt, Maryland, organizou e agrupou dados de vários satélites de observação da Terra - incluindo satélites Aura da NASA, satélites meteorológicos NOAA e satélites comerciais - para tirar suas conclusões. Os resultados foram publicados no Journal of Geophysical Research (Jornal de Pesquisa Geofísica) em fevereiro.

"No geral, nós ainda não estamos onde gostaríamos de estar com o ozônio, mas estamos no caminho certo", disse Jay Herman. "Nós ainda vemos um aumento da radiação UV em uma escala temporal de 30 anos, mas isso é moderado, poderia ter sido pior e parece ter sido estabilizado."

No Equador e nos Trópicos, o aumento foi mínimo, mas em latitudes médias do hemisfério sul isso tem sido mais evidente. Durante o verão, por exemplo, os raios UV aumentaram mais de 20 por cento na Patagônia e nas porções do sul da América do Sul. Ele subiu quase 10 por cento em Buenos Aires, uma cidade que está tão longe do equador como Little Rock, Arkansas, em Washington, DC - 35 graus (latitude) norte - o UV aumentou cerca de 9 por cento desde 1979 nesta latitude.

O hemisfério sul tende a ter mais exposição aos raios UV por causa do buraco de ozônio, uma diminuição sazonal da camada de ozônio centrada no pólo sul. Há também menos partículas de poluição do ar - que ajudam a bloquear UV - devido ao número - relativamente ao hemisfério norte - pequeno de pessoas que vivem por aqui.

Apesar dos aumentos globais, há sinais claros de que os níveis de radiação ultravioleta estão à beira de cair. A análise de Herman, que está de acordo com uma publicação do World Meteorological Report nos últimos anos, mostra que a diminuição da camada de ozônio e do correspondente aumento na irradiação UV nivelou-se em meados dos anos noventa.


Os muitos lados da radiação

Curtos comprimentos de onda da luz ultravioleta contêm mais energia do que as porções infravermelha ou visível da luz solar que chega à superfície da Terra. Devido a isso, os fótons UV pode quebrar ligações químicas na atmosfera e provocar complexos efeitos na saúde.

Comprimentos de onda maiores (320-400 nanômetros) - chamados de UV-A - causam queimaduras e catarata. No entanto, os raios UV-A também pode melhorar a saúde, incentivando a produção de vitamina D, substância que é fundamental para a absorção de cálcio nos ossos e que ajuda a evitar uma variedade de doenças crônicas.

UV-B, que tem comprimento de onda ligeiramente mais curto (320-290 nanômetros), pode danificar seriamente (enrolando e distorcendo) a estrutura do DNA: causando uma série de problemas de saúde, como câncer de pele e doenças que afetam o sistema imunitário.

Como parte de seu estudo, Herman desenvolveu uma técnica matemática para quantificar o impacto biológico da exposição aos raios UV. Ele examinou e calculou como alteração dos níveis de ozônio e irradiação ultravioleta afetam a vida. Para Greenbelt, por exemplo, ele calculou que um aumento de 7 por cento em UV resultou em aumentos de 4,4 por cento nos danos à pele, 4,8 por cento em danos ao DNA, 5 por cento na produção da vitamina D e menos de um por cento de aumento no crescimento das plantas.

"Se você vai à praia nos dias de hoje, você tem em um risco ligeiramente maior de desenvolver câncer de pele (sem proteção)," Herman disse que, apesar disso, o risco seria ainda maior na ausência de um acordo sobre substâncias que empobrecem a camada de ozônio.

No ano passado, um dos colegas de Herman, Paul Newman, publicou um estudo mostrando que, se não houvessem tratados internacionais regulamentando a emissão de poluentes - provavelmente, em 2065 - o buraco no ozônio provavelmente teria se tornado gigantesco e a exposição aos raios UV aumentaria para 650 por cento.

Nuvens e a "blindagem" hemisférica

Além de analisar as tendências de ozônio e ultravioleta, Herman também usou dados de satélite para verificar se as mudanças na nebulosidade têm afetado as tendências de exposição ao UV. Para sua surpresa, descobriu que a nebulosidade aumentou no hemisfério sul produzido um efeito de blindagem contra os raios UV, produzindo um aumento da protecção em relação ao ano anterior.

Nas latitudes mais elevadas, especialmente, ele detectou uma ligeira redução - de 2 a 4 por cento - no montante de UV que passa através da atmosfera e que atinge a superfície; efeito provacado pelas nuvens. "Não é uma quantidade grande, mas é intrigante", disse Herman. "Nós não temos certeza sobre o que está por trás disso ainda."

Vitali Fioletov, um cientista canadense e membro do grupo consultivo da World Meteorological Organization's sobre a radiação ultravioleta, concordou que as conclusões do inquérito Herman necessitam de uma investigação adicional, para provar algo a respeito dessa nebulosidade "misteriosa". "O mais interessante do estudo, na minha opinião, foram os efeitos das nuvens em escala global", disse ele. "Isso não é algo que você poderia ver sem satélites".
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Os maiores aumentos no UV (mostrados em branco, vermelho, laranja e amarelo) que ocorreram no hemisfério sul durante abril, maio e junho. Nos trópicos, os aumentos no UV foram mínimas (em azul). UV de 305 nanômetros é um dos tipos mais prejudiciais para os seres humanos. Crédito: NASA Goddard Space Flight Center / Jay Herman

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Nas latitudes altas do hemisfério sul, a exposição aos raios ultravioleta aumentaram em até um quarto. As latitudes baixas (isto é, mais próximas ao equador) aumentaram pouco, e as latitudes "médias" do hemisfério norte têm tido um aumento de cinco por cento.
Crédito: NASA Goddard Space Flight Center / Jay Herman


Este pequeno vídeo, produzido em 2008, descreve a situação do buraco do ozônio estratosférico. 
 Crédito: NASA / Goddard Space Flight Center

A radiação eletromagnética existe em uma gama de comprimentos de onda, que são delineadas em divisões principais para nossa conveniência. Ultravioleta-B, 290-320, representa a maior ameaça (na divisão dos raios UV) aos organismos vivos, embora represente apenas uma pequena porção do espectro.  
Crédito: NASA's Earth Observatory / Robert Simmon



  • Créditos:
  • Data: 
  • 09/03/10
  • Imagens:
  • NASA

3 Response to "A exposição a raios UV aumentaram ao longo dos últimos 30 anos, mas estabilizaram desde meados de 1990"

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Walisson H. C.

Daí a importância dos tratados internacionais.

Espero que novos tratados sejam feitos.

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Kaio

Obrigado por compartilhar essá notícia. Interessante ^^.
Espero que com isso todos tenham consciência dos perigos oriundos - não apenas para nós, mas também para outras espécies - da destruição(diminuição) do ozônio.

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