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Viagem pela Via Láctea

Possível apenas com a ajuda da imaginação e dos instrumentos científicos, essa aventura leva às maiores ou às mais velhas estrelas do universo; às vastas nuvens de gás e poeira onde os astros são gestados; e talvez a um buraco negro gigante no coração da galáxia.

Nas noites limpas de agosto, por volta dos 8 horas, bem no alto do céu estende-se a inconfundível fieira de estrelas que os antigos batizaram de Escorpião.

Distinguem-se as pinças, o corpo esticado para leste, adornado por Antares, vermelha como um rubi, e a cauda tipicamente enrodilhada sobre o corpo. Logo acima dela, onde nenhum astro se destaca, o aparente vazio do espaço esconde uma formidável esfera de estrelas que mudaria o céu da Terra de maneira espetacular, pois, rivalizaria em brilho com a Lua cheia. Isso só não acontece, paradoxalmente, porque tal esfera é o próprio coração da Via Láctea , galáxia em que giram o Sol e outros 100 bilhões de estrelas. Assim, grandes nuvens de poeira e gás interestelares se concentram na direção do centro e extinguem por completo sua luz visível.

Mas se um viajante deixasse a periferia galáctica onde fica o Sol e tomasse o rumo de Escorpião, veria o espaço tornar-se cada vez mais transparente e afinal discerniria a brilhante esfera central, onde as estrelas são milhares de vezes mais numerosas que na plácida vizinhança solar. Viajar até lá, portanto, seria submergir num espesso oceano de luz não visível, como os letais raios ultravioleta e raios X. Além disso, em vista do elevado número de astros, seriam bem mais freqüentes as grandes explosões estelares, chamadas novas ou supernovas. Isso significa maior possibilidade de um encontro com resíduos gasosos das explosões, alguns dos quais tóxicos.

Sem dúvida, seria um roteiro de fazer inveja aos poetas românticos do século passado, sempre sequiosos por paisagens remotas e exóticas. Mesmo porque um motivo espetacular para o avanço recente das pesquisas sobre o centro da Via Láctea é que lá talvez se abrigue um monstro cósmico da categoria dos buracos negros. Um corpo tão denso que poderia, por si só, reunir a massa de um milhão de estrelas num volume não muito maior que o Sol. Daí o caos entrevisto nessa região, onde nuvens de gás desmoronam rumo ao centro ou são expelidas em alta velocidade. É como descrevem os astrônomos Rolf Güsten, alemão, e Pierre Cax, francês, para os quais é preciso mais do que nunca testar hipótese do buraco negro gigante, um verdadeiro poço de gravidade no qual toda a Galáxia poderia desaparecer.

Catástrofes à parte, a maior atração da viagem são a própria Galáxia e seus incríveis habitantes. Os maiores de todos são as nuvens gigantes de gás e poeira, geralmente alimentadas por estrelas gigantes, muito violentas, capazes de emitir tal quantidade de luz que acabam de destroçar a própria superfície. Para ver de perto um espetáculo como esse, vale a pena incluir no roteiro uma rápida passagem pelo Eta Carina, situada a cerca de 9.000 anos-luz da Terra (um ano-luz vale quase 10 trilhões de quilômetros). Trata-se da mais violenta estrela conhecida, pois, com massa quase cem vezes maior que a do Sol, emite quatro milhões de vezes mais de luz. Embora portentosa, não é uma visão tranqüila, pois observações recentes e a curiosa história dessa estrela sugerem que ela deve se extinguir em supernova a qualquer momento.

Fotos do telescópio especial Hubble, há poucos meses, mostraram que o gás e a poeira em torno do Eta Carina têm a forma de uma casca de amendoim. É possível que essa nébula tenha sido ejetada há mais de 200 anos mais precisamente, em 1843, quando a estrela se tornou temporariamente a segunda mais brilhante do céu. Pode ter sido uma primeira explosão, insuficiente ainda para destruí-la, e uma advertência do alto grau de instabilidade desse astro. O Hubble também revelou que, sob a nébula, partem de Eta Carina dois jatos de matéria em direções opostas, um dos quais se espalha a partir de certo ponto, como se encontrasse um obstáculo; possivelmente, essa barreira é apenas o conteúdo normal de gás e poeira existente em maior ou menos proporção, em todo o espaço interestelar.

Na realidade, estrelas e matéria livre são dois lados de um jogo de vida e morte, cujas regras estão ligadas a evolução da Galáxia, que nem sempre teve a forma atual. Sua estrutura mais evidente é a forma plana e mais ou menos circular, como um disco de vitrola. Até 90% de suas estrelas estão dispostas nesse disco de maneira muito peculiar, já que a rotação gera grandes engarrafamentos de trânsito ou seja, as estrelas encalham em certas áreas do disco como os carros, em pontos críticos das vias urbanas.

O resultado são os quatro braços da Via Láctea, ou quatro congestionamentos gigantes, Aí, a matéria livre se adensa e se precipita sobre si mesma, dando à luz novas fornadas de estrelas jovens. Então, depois de queimar por algum tempo, as estrelas morrem explodem e devolvem a matéria-prima interestelar ao local de origem, as vastas planícies galácticas. Esse processo é mais ativo nas grandes nuvens de gás e poeira, explica o astrofísico brasileiro Roberto Ortiz, atualmente empenhado em aprontar o mais completo mapeamento já feito da Via Láctea. Ortiz estima que uma nuvem típica tem 100 000 massa solares e produz estrelas com eficiência de 15%. Essa é a parcela da massa total da nuvem que acaba convertida em estrelas. A curiosa gestação estelar ocorre nos casulos, termo informal, mas muito apropriado, para designar as regiões mais densas do gás e da poeira. O mais interessante, porém, é que o material queimado no interior das estrelas não volta ao disco exatamente como era antes, de modo que há uma continua evolução química na Galáxia. O homem, certamente, representa uma etapa avançada dessa evolução , já que alguns dos átomos essenciais à sua existência, como ferro, são construídos apenas durante supernovas. As explosões jogam para o espaço as camadas externas das estrelas, mas também comprimem seu cerne e aceleram as reações nucleares responsáveis pela produção de novos átomos.

Átomos mais leves, como o carbono e o oxigênio, são criados ao longo da vida normal da estrela, quando o peso das camadas externas fornece a pressão necessária às reações. Esses fatos são cruciais para uma nova e inteligente disciplina, a arqueologia galáctica, ou a busca das estrelas mais velhas da Via Láctea. Tais matusaléns se encontraram, antes de mais nada, nos aglomerados globulares incríveis concentrações de até 20000 estrelas bem próximas entre si. Um exemplo dessas autênticas jóias é Ômega do Centauro, a 16000 anos luz da Terra, mas bem acima do disco galáctico. Trata-se de uma posição especial, que denuncia um momento-chave na infância da Galáxia quando ela não teria ainda a forma de disco, e sim de uma grande esfera de matéria. As estrelas desse período nascidas em bloco, em aglomerados globulares têm por volta de 10 bilhões de anos e alto conteúdo de hidrogênio e hélio, os átomos mais antigos e mais abundantes, criados durante a nascimento do Universo. Também têm baixo conteúdo de metais (qualquer elemento além de hidrogênio e hélio, no jargão dos astrofísicos). O período esférico no entanto, foi breve: a Via Láctea rapidamente se ajustou à forma mais estável de um disco plano, onde a maior parte das estrelas existentes se desenvolveram. Nesse processo, as estrelas de grande massa tiveram papel decisivo, pois têm vida muito curta, da ordem de algumas centenas de milhões de anos, contra 10 bilhões de anos, no caso do Sol.

Assim eles alimentam rapidamente o meio intersetar, fornecendo matéria-prima para estrelas e planetas mais jovens e de composição química cada vez mais rica. Mesmo porque, depois de ejetados para o espaço, os átomos ligam-se uns aos outros na forma de moléculas de complexidade crescente. Nesse monumental cenário da vida cósmica, o tempo é um fator crucial, como mostram cálculos simples sobre a perspectiva de o homem, algum dia, visitar regiões distantes do sistema solar.À velocidade máxima das naves espaciais disponíveis são de 100 000 quilômetros por hora e uma viagem até a estrela mais próxima, a Alfa de Centauro, demoraria por volta de 45 000 anos. Isso é quatro vezes e meia mais que o tempo de existência da própria civilização humana.

O que dizer, então, de uma aventura às bordas do buraco negro que se suspeita existir no centro da Galáxia mais de 5 000 vezes distante que Alfa do Centauro? A conclusão mais simples e evidente é que o homem está condenado para sempre a contemplar a Via Láctea, sem nunca deixar o pequeno recanto em que surgiu. Talvez até WormHoles (buracos de minhoca) pudessem resolver o caso, mas isso não passa de especulação. Certamente, ainda não se podem considerar como reais as diversas alternativas sugeridas pelos escritores de ficção científica. Uma das mais plausíveis são as viagens-migrações nas quais, gigantescas naves transportariam colônias humanas inteiras, cujos membros viveriam e morreriam no espaço, até que seus descendentes aportassem ao destino. Mas também não é impossível que viagens desse gênero se tornem, afinal, um ambicionado passaporte da humanidade para as estrelas.



Mas, deixando de lado a ciência, que tal sonhar e viajar em um metrô da imaginação? Foi isso o que Samuel Arbesman fez:





Fonte: Lamentamos, mas não temos certeza a quem este artigo pertence. Por favor responsável, fale conosco, para assim colocarmos os devidos créditos. Acreditamos que possa ser de uma dessas fontes:

Revista "Super Interessante"; Revista "PLANETA"; Revista "MUNDO ESTRANHO"; http://ciencia.hsw.uol.com.br, ou da Revista VEJA


A cor das estrelas

Existem estrelas de quase todas as cores – brancas, amarelas, azuis, vermelhas... Entenda porquê a cor é uma informação essencial para os astrônomos.

Quando olhamos para o céu numa noite limpa e sem luar, longe das luzes da cidade, facilmente constatamos que muitas estrelas têm uma cor peculiar. Sírius e Vega, por exemplo, cintilam como diamantes branco-azulados.

Capella tem um brilho amarelo, como um sol distante, enquanto Arcturus é levemente alaranjada. Betelgeuse, Aldebaran e principalmente Antares exibem um tom vermelho como um rubi. Ao telescópio, essas cores atingem tons de elevada pureza.

O Sol aquece a Terra e os outros objetos do Sistema Solar com uma luz dourada. Por certo haverá planetas iluminados pelos raios de uma estrela azul. E o que dizer da alvorada em um planeta que resplandece sob a luz de dois sois? Que efeitos fantásticos de luzes e cores se alternam nesses mundos?

Conhecimento em cores
PARA COMEÇAR A ENTENDER ESSES FENÔMENOS, é importante recorrer a certos conceitos de Física. Sabemos que as folhas das árvores são verdes porque absorvem todas as demais radiações, exceto o verde, difundindo-o ao seu redor. Se a fonte de luz se apaga, os objetos desaparecem.

Porém, a chama de uma vela tem luz própria, assim como uma barra de ferro numa fundição ou o filamento de uma lâmpada incandescente, que fica avermelhado se a energia elétrica está fraca, mas muda de cor, atingindo tons mais claros à medida que a temperatura aumenta.

Devido à incandescência, esses objetos tornam-se fontes de luz – e sua cor depende diretamente da composição da luz que irradiam. Não é difícil analisar as cores de uma luz. Basta fazê-la passar por uma fenda delgada e atravessar um prisma de vidro. Com isso obtemos o espectro da luz.

O espectro das estrelas geralmente se apresenta como uma faixa luminosa e contínua, contendo todas as cores do arco-íris interrompidas por raias escuras. Essas raias são as “impressões digitais” das estrelas, revelando a composição química das camadas superficiais do astro.

Cada elemento químico tem a propriedade de mostrar raias no espectro em comprimentos de onda característicos. Comparando as raias de uma estrela com as obtidas em laboratório (com as “assinaturas” dos elementos químicos) é possível determinar a composição do astro.

Estamos diante de uma das maravilhas do conhecimento científico: a espectroscopia. Ainda que não seja possível recolher uma amostra de uma estrela qualquer, somos capazes de determinar do que ela é feita – e com admirável precisão!

Sem estrelas verdes
A cor de uma estrela tem relação com a temperatura em sua superfície. Estrelas não muito quentes (cerca de 3.000 Kelvin) nos parecem avermelhadas. Já as estrelas amarelas, como o Sol, possuem temperatura em torno dos 6.000 Kelvin; e as mais quentes são brancas ou azuis porque sua temperatura fica acima dos 10.000 Kelvin.

Uma estrela emite energia em todos os comprimentos de onda, mas não com a mesma intensidade. Existe um pico de sua radiância para cada temperatura. Uma quantidade de energia que vai determinar a cor predominante da estrela. É por isso que não existem estrelas verdes.

Em princípio, deveriam existir estrelas em todas as cores do arco-íris (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta). Mas, quando essa seqüência de cores é obtida em função da temperatura de objetos incandescentes, a energia do branco se sobrepõe ao verde.

Classificação estelar
AS RAIAS VISÍVEIS NO ESPECTRO DE UMA ESTRELA permitem ordenar esses astros em classes de objetos similares. A classificação espectral atualmente em uso é baseado num esquema estabelecido em 1890 (Harvard Spectral Sequence).

Da mais quente a mais fria, as estrelas são agrupadas em classes identificadas pelas letras do alfabeto W, O, B, A, F, G, K, M e também R, N e S. Como são muito poucas as estrelas que entram nas classes W, R, N e S, sobram apenas os sete grupos destacados, fáceis de memorizar considerando as iniciais da seguinte frase em inglês: Oh, Be A Fine Girl: Kiss Me!

Cada classe é dividida em dez subgrupos numerados de zero a nove. O Sol pertence a classe espectral G2, sendo muito semelhante a Capella (G0), enquanto Sírius é da classe A1 e Betelgeuse da classe M2.

Estrelas de comportamento excepcional são designadas pela letra p, de peculiar, e as anãs, gigantes e supergigantes são identificadas por d, g e s, respectivamente, colocadas antes da letra principal.

Também foram introduzidas classes de luminosidades designadas pelos algarismos romanos de I a VII mais o algarismo arábico zero. A classe I, por sua vez, divide-se em Ia e Ib.

Vários outros símbolos são utilizados nas classificações espectrais das estrelas. WC e WN, por exemplo, indicam estrelas de alta temperatura superficial (estrelas Wolf-Rayet, da ordem de 60.000 K).


As raras estrelas do tipo espectral R são ricas em CH e CN, enquanto as do tipo S contêm óxido de zircônio (ZrO2). Ambos os tipos apresentam raias de metais neutros em seus espectros.

O espectro produzido quando uma luz atravessa uma fenda e depois um prisma de vidro é contínuo. Se houver gás que absorva muito a luz visível no seu caminho, a forma característica de um arco-íris será interrompida por uma série de linhas escuras.

Isso acontece porque os elétrons ocupam níveis energéticos bem distintos nos átomos dos elementos químicos, mas quando o átomo absorve ou emite energia há transições entre níveis adjacentes. Essas transições produzem linhas de absorção ou de emissão nos espectros, como as do átomo de hidrogênio.




Fonte: Lamentamos, mas não temos certeza a quem este artigo pertence. Por favor responsável, fale conosco, para assim colocarmos os devidos créditos. Acreditamos que possa ser de uma dessas fontes:

Revista "Super Interessante"; Revista "PLANETA"; Revista "MUNDO ESTRANHO"; http://ciencia.hsw.uol.com.br, ou da Revista VEJA.


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