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MARS 500: Rumo a marte!

Olá! Este pequeno artigo, que tem o objetivo de divulgação astronômica, foi escrito por Paulo Fontanezi (com a revisão de Walisson H. C.) e fala sobre o projeto Mars 500. Aprecie!

Mars 500 é o nome do projeto lançado pela agência espacial russa que tem como objetivo levar o homem a Marte.

O projeto tem como principal objetivo estudar os efeitos físicos e psicológicos de um isolamento tão prolongado nos tripulantes (já que serão 520 dias "fechados", sendo 250 dias de ida ao planeta vermelho, 30 dias de exploração em solo marciano e mais 240 dias para voltar).

A tripulação é constituída por seis tripulantes: 3 da Rússia (Alexey Sitev de 38 anos e comandante da missão, Sukhrob Kamolov de 32 anos, Alexandr Smoleevskiy de 33 anos), o Francês Romain Charles de 31 anos, o Chinês Wang Yue de 26 anos, e o Italiano-Colombiano Diego Urbina de 27 anos.

E há ainda um voluntário de reserva: o Russo Mikhail Sinelnikov.

A nave que simulará a ida ao planeta vermelho é constituída de um módulo habitável, uma cápsula de aço do tamanho de um container com seis quartos parcialmente mobiliados. Noutra cápsula, que ficará ligada ao módulo habitável, há um ginásio, uma estufa artificial e um armazém de alimentos e água (dos quais a tripulação terá que conservar e racionalizar durante o tempo de duração da experiência). Uma terceira cápsula será o departamento médico e ainda há uma cápsula só para simular o ambiente hostil encontrado em marte.




As atividades dentro da cápsula serão quase as mesmas que as dos astronautas da estação internacional espacial (ISS), só que voltados para os tipos de situações que serão provavelmente encontradas durante a viagem a Marte, inclusive as situações de emergência.


Outros fatos e Curiosidades
  • Uma simulação parecida com a do projeto aconteceu em 2009, mas com a duração de apenas 105 dias.
  • A comunicação entre a base e os tripulantes será obviamente feita só por rádio e a duração de tempo entre um radio na terra e outro na nave será de 20 minutos para simular a realidade. 
  • Qualquer um dos participantes na experiência pode desistir a meio da viagem, sendo considerado um “astronauta morto“. 
  • Aqueles que chegarem ao fim receberão cerca de 70 mil euros. 
  • Já outra iniciativa parecida, realizada entre 1999 e 2000, acabou em sangue, depois de dois russos se terem envolvido em confrontos e uma mulher canadiana se ter queixado de ter sido beijada à força por um capitão da Rússia. Para evitar a repetição de cenas semelhantes, os organizadores da nova “viagem” a Marte decidiram não incluir mulheres no grupo. 
  • A comida e a água vão ser as mesmas colocadas no primeiro dia. A água vai ser reaproveitada fazendo com que a urina passe por processos para se transformar em água pura novamente e vão ter que durar até o projeto acabar.


Vídeos



Leia Mais e Fonte de Pesquisa

O homem na Lua

Olá! Este pequeno artigo, que tem o objetivo de divulgação astronômica, foi escrito por Paulo Fontanezi (com a revisão de Walisson H. C.) fala sobre o homem na Lua.

 Pousar na Lua. Era considerado loucura e/ou bruxaria na Idade Média. Que bom que os tempos mudaram! Com o avanço da tecnologia, muitos mitos caíram.

O que era coisa de "outro mundo" - literalmente - aconteceu há 40 anos atrás, quando o homem realizava uma das suas maiores façanhas - ele pousava na Lua.

O feito foi concebido numa época onde havia uma grande disputa entre: os capitalistas (Encabeçados pelo EUA) e socialistas (Encabeçados pela URSS - atual Rússia).

Para provar a superioridade de seu sistema, tanto capitalistas como socialistas investiram pesado em tecnologia. Este investimento é conhecido como corrida espacial, onde cada bloco tinha como objetivo colocar um objeto e um ser vivo em órbita antes do que o outro.

A URSS foi a primeira a colocar um objeto em órbita - o satélite artificial Sputnik - que tinha como objetivo estudar possíveis lançamentos de cargas úteis ao espaço. Logo em seguida vendo que realmente havia um método para tal façanha, a URSS colocou o primeiro ser vivo em órbita, a Cadela Laika. Não demorou muito para que o primeiro ser humano fosse ao espaço: Yuri Gagarin na missão Vostok 1, sendo que este disse a famosa frase: "A terra é azul".

Enquanto isso, os americanos também foram ao espaço - entre 1948 e 1957 -  com os primatas Albert, Albert II, Albert III, Albert IV (também chamado Yorick) e Albert V, que morreram durante suas missões poucas horas depois de regressar à Terra. Com humanos também: Alan Shepard - segundo homem e primeiro norte-americano a ir ao espaço - num vôo suborbital em 1961.

Ocorridos tais fatos, os E.U.A  - para conseguir superar o programa espacial Russo - propôs uma das maiores façanhas da humanidade que era uma viagem  à Lua em segurança.

Tal façanha foi proposta pelo então presidente na época Jonh. F. Kennedy com a famosa frase:
"Nós decidimos ir a Lua. Decidimos ir a Lua nesta década, não porque isso é fácil, mas porque é difícil”;

Este projeto ficou conhecido como Apollo.

O conjunto de missões espaciais [do programa] eram coordenadas pela Nasa (agência espacial dos EUA) entre 1961 e 1972. O sucesso do projeto veio com o pouso da Apollo 11 no solo lunar em 20 de julho de 1969, com o pouso do primeiro homem na lua. A tripulação era constituída por Neil Armstrong, Edwin 'Buzz' Aldrin e Michael Collins. No dia 26 de julho de 1969 após 102 horas do lançamento da cabo Canaveral, Neil Armstrong colocava seus pés em solo lunar e dizia uma das frases mais famosas da historia:

"Este é um pequeno passo para o homem, mas um enorme salto para a humanidade".
(Neil Armstrong)

A decadência do projeto aconteceu em 1972 com o ultimo vôo realizado (Apollo 17). As principais causas do cancelamento das ultimas missões foram falta de verbas, cortadas pelo congresso americano, quanto o desinteresse da opinião pública americana com o projeto.



Caso você queira saber mais, assita o documentário abaixo, do The History Channel:
Agradecemos imensamente a disponibilização dos vídeos pelo canal direstraits25


A propósito, confira "Grandes missões da NASA", disponível no Astronomia Brasil, nosso parceiro. Clique aqui e confira.



Leia mais

http://www.snopes.com/quotes/onesmall.asp
Artigo que conta, em detalhes, como Neil Armstrong disse a sua famosa frase e os seus signficados.

http://www.jfklibrary.org/Historical+Resources/Archives/Reference+Desk/Speeches/JFK/Urgent+National+Needs+Page+4.htm
Discurso do presidente Kennedy, (praticamente) completo.

http://www.space.com/news/laika_anniversary_991103.html
A história da cadela Laika.

  • Créditos:
  • Data: 
  • 16/05/10
  • Autor:
  • Paulo Fontanezi
  • Apoio e revisão:
  • Walisson H. C.

Porque "Júpiters Quentes" são tão inchados

Uma torradeira elétrica do tamanho de um planeta poderia explicar porque alguns exoplanetas são tão grandes. Um fenômeno relacionado poderia ser responsável por manter sob controle os ventos que formam as listras de Júpiter.

Mais de 150 planetas foram encontrados orbitando mais perto de suas estrelas do que Mercúrio está do sol. Muitos desses planetas, gigantes gasosos - que são conhecidos como "Júpiters quentes", pelo fato de terem temperaturas de 2000 ° C ou mais - têm uma massa semelhante a Júpiter, mas podem ter até seis vezes o seu volume.

Algo deve estar o aquecendo-os para torná-los inchados desta maneira - mas o quê? Radiação da estrela hospedeira não pode ser a fonte, já que maioria é refletida para o espaço pelo gás presente na atmosfera.

Efeitos de aquecimento gravitacional poderiam funcionar para planetas com órbitas alongadas. A constante mudança gravitacional da estrela hospedeira no planeta que a orbita poderia flexionar seu interior, possivelmente gerando calor o suficiente para provocar a expansão que vemos. Mas esse mecanismo não consegue explicar como alguns planetas com órbita circular - como o TrES-4, que é menos massivo do que Júpiter, mas 1,8 vezes mais "largo" - é tão grande.

Konstantin Batygin e David Stevenson, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena sugerem que a "misteriosa" energia poderia originar-se de um vento de partículas carregadas que circunda o planeta. A temperatura na atmosfera do "Júpiter quente" é alta o suficiente para bater um grande número de elétrons, como os átomos de sódio e potássio. Estes elétrons poderiam então ser "chicoteados" por ventos em torno do planeta e interagir com seu campo magnético, gerando uma corrente que pode se estender em profundidade no planeta, aquecendo o seu interior como o efeito de uma torradeira elétrica.

 

"O poder de que você está depositando ali pode ser suficiente para inflacionar o planeta", diz Adam Burrows, da Universidade de Princeton.

Burrows acrescenta que o modelo mais detalhado é necessário para determinar se as correntes geradas desta forma chegam longe o suficiente para que a inflação ocorra no planeta . "Essa energia pode "trabalhar" em alguns momentos, em alguns planetas."

Se a teoria for confirmada, ela poderia "matar dois passáros com uma única pedra", diz Burrows, porque um mecanismo semelhante poderia desempenhar um papel fundamental na manutenção da velocidade do vento da atmosfera de Júpiter e Saturno. Estes ventos podem ser conduzidos pelas variações de temperatura entre as regiões que recebem diferentes quantidades de luz solar ou pela agitação gerada pelo calor do próprio planeta. Mas outro processo é necessário para manter os ventos que se deslocam a velocidades constantes.

Mesmo que estes gigantes de gás liberem elétrons da mesma forma como nos Júpiters quentes, o calor mais profundo dentro do planeta pode retirar elétrons de hidrogênio e de outros elementos. A interação desses elétrons, com campo magnético de um planeta, como Batygin propôs para exoplanetas, poderão criar uma contra-força que ajuda a conter os ventos.

O teléscopio espacial James Webb da NASA, que será lançado em 2014, poderia ajudar a refinar o modelo, limitando a velocidade dos ventos nos exoplanetas inchados.

  • Créditos:
  • Data: 
  • 08/03/10
  • Imagens:
  • No topo: Ignacio González Tapia/NASA
  • Diagrama: New Scientist

Viagem pela Via Láctea

Possível apenas com a ajuda da imaginação e dos instrumentos científicos, essa aventura leva às maiores ou às mais velhas estrelas do universo; às vastas nuvens de gás e poeira onde os astros são gestados; e talvez a um buraco negro gigante no coração da galáxia.

Nas noites limpas de agosto, por volta dos 8 horas, bem no alto do céu estende-se a inconfundível fieira de estrelas que os antigos batizaram de Escorpião.

Distinguem-se as pinças, o corpo esticado para leste, adornado por Antares, vermelha como um rubi, e a cauda tipicamente enrodilhada sobre o corpo. Logo acima dela, onde nenhum astro se destaca, o aparente vazio do espaço esconde uma formidável esfera de estrelas que mudaria o céu da Terra de maneira espetacular, pois, rivalizaria em brilho com a Lua cheia. Isso só não acontece, paradoxalmente, porque tal esfera é o próprio coração da Via Láctea , galáxia em que giram o Sol e outros 100 bilhões de estrelas. Assim, grandes nuvens de poeira e gás interestelares se concentram na direção do centro e extinguem por completo sua luz visível.

Mas se um viajante deixasse a periferia galáctica onde fica o Sol e tomasse o rumo de Escorpião, veria o espaço tornar-se cada vez mais transparente e afinal discerniria a brilhante esfera central, onde as estrelas são milhares de vezes mais numerosas que na plácida vizinhança solar. Viajar até lá, portanto, seria submergir num espesso oceano de luz não visível, como os letais raios ultravioleta e raios X. Além disso, em vista do elevado número de astros, seriam bem mais freqüentes as grandes explosões estelares, chamadas novas ou supernovas. Isso significa maior possibilidade de um encontro com resíduos gasosos das explosões, alguns dos quais tóxicos.

Sem dúvida, seria um roteiro de fazer inveja aos poetas românticos do século passado, sempre sequiosos por paisagens remotas e exóticas. Mesmo porque um motivo espetacular para o avanço recente das pesquisas sobre o centro da Via Láctea é que lá talvez se abrigue um monstro cósmico da categoria dos buracos negros. Um corpo tão denso que poderia, por si só, reunir a massa de um milhão de estrelas num volume não muito maior que o Sol. Daí o caos entrevisto nessa região, onde nuvens de gás desmoronam rumo ao centro ou são expelidas em alta velocidade. É como descrevem os astrônomos Rolf Güsten, alemão, e Pierre Cax, francês, para os quais é preciso mais do que nunca testar hipótese do buraco negro gigante, um verdadeiro poço de gravidade no qual toda a Galáxia poderia desaparecer.

Catástrofes à parte, a maior atração da viagem são a própria Galáxia e seus incríveis habitantes. Os maiores de todos são as nuvens gigantes de gás e poeira, geralmente alimentadas por estrelas gigantes, muito violentas, capazes de emitir tal quantidade de luz que acabam de destroçar a própria superfície. Para ver de perto um espetáculo como esse, vale a pena incluir no roteiro uma rápida passagem pelo Eta Carina, situada a cerca de 9.000 anos-luz da Terra (um ano-luz vale quase 10 trilhões de quilômetros). Trata-se da mais violenta estrela conhecida, pois, com massa quase cem vezes maior que a do Sol, emite quatro milhões de vezes mais de luz. Embora portentosa, não é uma visão tranqüila, pois observações recentes e a curiosa história dessa estrela sugerem que ela deve se extinguir em supernova a qualquer momento.

Fotos do telescópio especial Hubble, há poucos meses, mostraram que o gás e a poeira em torno do Eta Carina têm a forma de uma casca de amendoim. É possível que essa nébula tenha sido ejetada há mais de 200 anos mais precisamente, em 1843, quando a estrela se tornou temporariamente a segunda mais brilhante do céu. Pode ter sido uma primeira explosão, insuficiente ainda para destruí-la, e uma advertência do alto grau de instabilidade desse astro. O Hubble também revelou que, sob a nébula, partem de Eta Carina dois jatos de matéria em direções opostas, um dos quais se espalha a partir de certo ponto, como se encontrasse um obstáculo; possivelmente, essa barreira é apenas o conteúdo normal de gás e poeira existente em maior ou menos proporção, em todo o espaço interestelar.

Na realidade, estrelas e matéria livre são dois lados de um jogo de vida e morte, cujas regras estão ligadas a evolução da Galáxia, que nem sempre teve a forma atual. Sua estrutura mais evidente é a forma plana e mais ou menos circular, como um disco de vitrola. Até 90% de suas estrelas estão dispostas nesse disco de maneira muito peculiar, já que a rotação gera grandes engarrafamentos de trânsito ou seja, as estrelas encalham em certas áreas do disco como os carros, em pontos críticos das vias urbanas.

O resultado são os quatro braços da Via Láctea, ou quatro congestionamentos gigantes, Aí, a matéria livre se adensa e se precipita sobre si mesma, dando à luz novas fornadas de estrelas jovens. Então, depois de queimar por algum tempo, as estrelas morrem explodem e devolvem a matéria-prima interestelar ao local de origem, as vastas planícies galácticas. Esse processo é mais ativo nas grandes nuvens de gás e poeira, explica o astrofísico brasileiro Roberto Ortiz, atualmente empenhado em aprontar o mais completo mapeamento já feito da Via Láctea. Ortiz estima que uma nuvem típica tem 100 000 massa solares e produz estrelas com eficiência de 15%. Essa é a parcela da massa total da nuvem que acaba convertida em estrelas. A curiosa gestação estelar ocorre nos casulos, termo informal, mas muito apropriado, para designar as regiões mais densas do gás e da poeira. O mais interessante, porém, é que o material queimado no interior das estrelas não volta ao disco exatamente como era antes, de modo que há uma continua evolução química na Galáxia. O homem, certamente, representa uma etapa avançada dessa evolução , já que alguns dos átomos essenciais à sua existência, como ferro, são construídos apenas durante supernovas. As explosões jogam para o espaço as camadas externas das estrelas, mas também comprimem seu cerne e aceleram as reações nucleares responsáveis pela produção de novos átomos.

Átomos mais leves, como o carbono e o oxigênio, são criados ao longo da vida normal da estrela, quando o peso das camadas externas fornece a pressão necessária às reações. Esses fatos são cruciais para uma nova e inteligente disciplina, a arqueologia galáctica, ou a busca das estrelas mais velhas da Via Láctea. Tais matusaléns se encontraram, antes de mais nada, nos aglomerados globulares incríveis concentrações de até 20000 estrelas bem próximas entre si. Um exemplo dessas autênticas jóias é Ômega do Centauro, a 16000 anos luz da Terra, mas bem acima do disco galáctico. Trata-se de uma posição especial, que denuncia um momento-chave na infância da Galáxia quando ela não teria ainda a forma de disco, e sim de uma grande esfera de matéria. As estrelas desse período nascidas em bloco, em aglomerados globulares têm por volta de 10 bilhões de anos e alto conteúdo de hidrogênio e hélio, os átomos mais antigos e mais abundantes, criados durante a nascimento do Universo. Também têm baixo conteúdo de metais (qualquer elemento além de hidrogênio e hélio, no jargão dos astrofísicos). O período esférico no entanto, foi breve: a Via Láctea rapidamente se ajustou à forma mais estável de um disco plano, onde a maior parte das estrelas existentes se desenvolveram. Nesse processo, as estrelas de grande massa tiveram papel decisivo, pois têm vida muito curta, da ordem de algumas centenas de milhões de anos, contra 10 bilhões de anos, no caso do Sol.

Assim eles alimentam rapidamente o meio intersetar, fornecendo matéria-prima para estrelas e planetas mais jovens e de composição química cada vez mais rica. Mesmo porque, depois de ejetados para o espaço, os átomos ligam-se uns aos outros na forma de moléculas de complexidade crescente. Nesse monumental cenário da vida cósmica, o tempo é um fator crucial, como mostram cálculos simples sobre a perspectiva de o homem, algum dia, visitar regiões distantes do sistema solar.À velocidade máxima das naves espaciais disponíveis são de 100 000 quilômetros por hora e uma viagem até a estrela mais próxima, a Alfa de Centauro, demoraria por volta de 45 000 anos. Isso é quatro vezes e meia mais que o tempo de existência da própria civilização humana.

O que dizer, então, de uma aventura às bordas do buraco negro que se suspeita existir no centro da Galáxia mais de 5 000 vezes distante que Alfa do Centauro? A conclusão mais simples e evidente é que o homem está condenado para sempre a contemplar a Via Láctea, sem nunca deixar o pequeno recanto em que surgiu. Talvez até WormHoles (buracos de minhoca) pudessem resolver o caso, mas isso não passa de especulação. Certamente, ainda não se podem considerar como reais as diversas alternativas sugeridas pelos escritores de ficção científica. Uma das mais plausíveis são as viagens-migrações nas quais, gigantescas naves transportariam colônias humanas inteiras, cujos membros viveriam e morreriam no espaço, até que seus descendentes aportassem ao destino. Mas também não é impossível que viagens desse gênero se tornem, afinal, um ambicionado passaporte da humanidade para as estrelas.



Mas, deixando de lado a ciência, que tal sonhar e viajar em um metrô da imaginação? Foi isso o que Samuel Arbesman fez:





Fonte: Lamentamos, mas não temos certeza a quem este artigo pertence. Por favor responsável, fale conosco, para assim colocarmos os devidos créditos. Acreditamos que possa ser de uma dessas fontes:

Revista "Super Interessante"; Revista "PLANETA"; Revista "MUNDO ESTRANHO"; http://ciencia.hsw.uol.com.br, ou da Revista VEJA


Glossário

Para quem tem dúvidas ou fica sem entender nada quando aparecem palavras "difíceis", este é o lugar de entender do que estamos falando.

A
AMBIENTE
Tudo o que rodeia alguma coisa.

ANO LUZ
Distancia que a luz pode viajar em um ano, a qual é 9.500.000.000.000 quilômetros.

ASTERÓIDE
Um objeto espacial rochoso que pode ter de poucos metros a centenas de quilômetros de diâmetro. A maioria dos asteróides no nosso sistema solar orbitam em um cinturão entre Marte e Júpiter.

ASTRONAUTA
Pessoa que viaja no espaço.

ASTRÔNOMO
Cientista que observa e estuda planetas, estrelas e galáxias.

ATMOSFERA
Todos os gases que envolvem uma estrela, como o nosso Sol, ou um planeta, como a Terra.

ÁTOMO
O menor bloco que forma todas as coisas.

ATRAÇÃO GRAVITATIONAL
Atração que um objeto tem por outro objeto devido à forca invisível da gravidade.

AUSÊNCIA DE PESO
A percepção de ter pouco ou nenhum peso; de não sentir os efeitos da gravidade.

B
BACTÉRIA
Seres vivos que possuem uma só célula e são tão pequenos que só podem ser vistos com um microscópio.

TEORIA DO BIG BANG
Teoria que diz que o Universo começou com uma inflação, ou seja, expandindo-se cada vez mais a partir de um mínusculo ponto. (E ainda estamos vivendo isto, tanto que o universo não para de se expandir).


BOJO
Parte que aumenta ou destaca-se do resto.

BURACO NEGRO
Objeto invisível no espaço exterior, formado quando uma estrela massiva colapsa devido à sua própria gravidade. Um buraco negro possui atração gravitacional tão forte que nem mesmo a luz consegue escapar.

C
CARGA ÚTIL
Carga levada pelo Ônibus Espacial.

CARGO
Instumentação e/ou satélite levado à bordo do Ônibus Espacial. 


CELSIUS
Escala métrica de temperatura na qual a água se congela à 0 graus e ferve à 100 graus.

COLAPSO
Cair ao chão ou cair aos pedaços.

COLISÃO
Um choque ou união forçada de dois ou mais objetos.

COMBUSTÍVEL
Algo que é queimado para liberar calor ou energia.

COMETA
Grande bola de gelo sujo e neve no espaço exterior.

COSMONAUTA
Astronauta da antiga União Soviética ou atualmente da Rússia.

CRATERA
Buraco causado por um objeto chocando-se contra a superfície de um planeta ou lua.

D
DETECTAR
Descobrir alguma coisa que estava escondida ou não era conhecida.

E
EIXO
Linha reta imaginária ao redor da qual um objeto gira.

ELÍPTICA

  1. Da forma de um ovo que tem pontas iguais;
  2. Linha imaginária que representa o percurso do Sol no céu;
ENERGIA
O poder de realizar trabalho.

ESPECTRÓGRAFO
Instrumento utilizado para dispersar a radiação (como a radiação eletromagnética) em um espectro e então fotografá-lo ou mapeá-lo.

ESPECTROSCÓPIO
Instrumento que separa a luz branca de uma estrela em suas cores componentes.

EXPANDIR
Aumentar.

F
FLARE SOLAR
Uma tempestade ou erupção de gases quentes no Sol.

FRAGMENTO
Pedaço quebrado de alguma coisa.

FURACÃO
Tempestade de vento muito, muito forte onde os ventos sopram em círculos à mais de 46 quilômetros por hora. Chuvas fortes freqüentemente acompanham os ventos.

FUSÃO NUCLEAR
Processo onde átomos são unidos e tremendas quantidades de energia são liberadas.

G
GALÁXIA
Uma gigante coleção de gás, poeira, e milhões ou bilhões de estrelas.

GÁS
Forma de matéria que não é líquida ou sólida. Um gás tende a se expandir para preencher todo o espaço disponível a ele.

GRAVIDADE
Forca invisível entre objetos que faz com que os objetos mutuamente se atraiam.


H


I

 
J
JIPE LUNAR
Veículo parecido com um carro, utilizado pelos astronautas da missão Apollo para explorar a superfície da Lua.




M
MANCHA SOLAR
Área escura na superfície do Sol que é mais fria do que a área ao seu redor. Manchas solares são causadas por tempestades magnéticas no Sol.

MASSA
Quantidade de matéria em um objeto.

MATÉRIA
O que faz parte de todas as coisas.

METEORO
Objeto do espaço que se aquece e brilha quando passa pela atmosfera da Terra.

METEORITO
Pedaço de rocha ou metal do espaço que cai na superfície da Terra.

METEORÓIDE
Pedaço de rocha ou metal que viaja no espaço exterior.

MITOLOGIA
Estórias antigas que normalmente explicam como alguma coisa aconteceu.

MÓDULO
Parte de um conjunto que pode ser arranjado de maneiras diferentes.

MÓDULO LUNAR
Secção da espaçonave Apollo planejada para pousar na Lua.

N
NASA
National Aeronautics and Space Administration, órgão do governo que se encarrega de todos os programas espaciais dos Estados Unidos.

O
ONDA DE RÁDIO
Tipo de energia eletromagnética, cuja sua onda pode ter metros a km de diâmetro.


ÓRBITA
Caminho seguido por um objeto no espaço à medida em que ele move-se ao redor de outro objeto.


ORBITAR: 

Viajar ao redor de outro objeto em um caminho único.

P
PARTÍCULA
Um pedaço muito, muito pequeno de matéria como um eléctron, próton ou nêutron, encontrado dentro de um átomo.

PLANÍCIE
Grande área de terras baixas.

PÓLO
O lugar em cada ponta de uma linha invisível chamada eixo. Planetas têm um pólo sul e um pólo norte.

Q
QUILÔMETRO
1.000 metros.

R
RAIOS GAMA
Forma invisível de energia que é liberada pelos átomos. (A onda eletromagnética mais "curta" e energética).

RAIOS ULTRAVIOLETA
Forma invisível de energia que pode ser prejudicial para os seres humanos. 


RAIOS-X
Forma invisível de energia que consegue passar através da maioria dos objetos sólidos, também é usada em exames médicos, para identificar possíveis fraturas.

REENTRADA
Retorno de uma espaçonave à atmosfera da Terra.

REFLETIR
Jogar de volta luz, calor ou som. 


REUTILIZÁVEL
Que pode ser utilizado novamente.

S
SATÉLITE
Objeto que move-se ao redor de um objeto maior. Existem satélites naturais como luas e existem satélites fabricados pelo homem como o Hubble Space Telescope.

SOLAR
Que tem a ver com o Sol.

SONDA ESPACIAL
Espaçonave de pesquisa não tripulada enviada ao espaço.

SUPERNOVA
Explosão de uma estrela que faz com que a mesma brilhe milhões de vezes mais forte que o normal.

T
TELESCÓPIO
Instrumento utilizado por astrônomos e observadores das estrelas para observar planetas e estrelas.

U
UNIVERSO
Enorme espaço que contém toda a matéria e energia em existência.

V
VALE
Grande área de terras baixas entre colinas ou montanhas.

VEÍCULO
Objeto utilizado para carregar pessoas e coisas sobre terra ou no espaço.

VEÍCULO LUNAR
Veículo parecido com um carro utilizado pelos astronautas da missão Apollo para exploração da superfície da Lua.

VENTO SOLAR
Corrente de partículas altamente carregadas fluíndo do Sol.

VULCÃO
Abertura na superfície de um planeta através da qual rocha quente e líquida é expelida. 


W
WOLF-RAYET
Estrela muito luminosa, azul e muito quente.

X

Y

Z






Você quer ajudar-nos? Envie uma palavra e seu significado pelos comentários, abaixo. 

O ano cósmico

Momentos importantes no desenvolvimento do planeta Terra, verificados através do ano cósmico, uma fórmula desenvolvida para que se possa compreender o real significado da idade do Universo.
 
O homem aprendeu a medir os acontecimentos da vida pela contagem dos anos, décadas, séculos e milênios. Mas existe uma fórmula, feita primeiro por Carl Sagan, para melhor para se compreender o que costuma ser quase incompreensível - o real significado da idade do universo. Trata-se de condensar seus presumíveis 15 bilhões de anos de existência em um único ano, o Ano Cósmico. Assim, cada bilhão de anos da Terra corresponde a mais ou menos 24 dias desse ano cósmico e um segundo vale aproximadamente 500 anos.

Nas páginas seguintes você vai encontrar informações de alguns dos momentos cruciais do desenvolvimento do planeta Terra. A mente humana não conseguiu descobrir quando precisamente tudo aconteceu desde o primeiro segundo do dia 1º de janeiro, mas alguns fatos podem ser pres
umidos com razoável margem de acerto. Por exemplo:
  • lº de janeiro: Grande explosão 

  • 1º de maio: Origem da Via Láctea 
    • 9 de setembro: Origem do sistema solar 
    • 14 de setembro: Formação da Terra
    A partir dessa data os dados são apresentados em pormenores de modo a ser possível descrever o último dia do calendário, que corresponde a um resumo de toda a história reconhecida do planeta Terra supondo o surgimento da vida no dia 25 de setembro do nosso hipotético calendário.

    O despertar de um planeta

    O imaginário ano cósmico revela o incrível tempo gasto na formação de um planeta, um corpo sólido no espaço. Mostra também a relativa rapidez com que a vida se instalou na recém-nascida Terra. Isso leva alguns cientistas a supor que a vida não é um fenômeno tão raro como já se imaginou. Senão, vejamos: da grande explosão que originou o Universo, passam-se aproximadamente 260 dias cósmicos até o surgimento da Terra que, em apenas onze dias cósmicos, gera a vida.

    A substância do planeta transformada em matéria viva caminha em velocidade crescente a níveis de estrutura cada vez mais sofisticados: moléculas com limitada capacidade de alto-duplicação, surgidas em meados de setembro, já em outubro evoluem para complexas bactérias e algas - seres que, apesar da aparente simplicidade, supõem o funcionamento harmônico de milhares de variedades moleculares.

    A descoberta do sexo pelos microorganismos em 1º de novembro cósmico, e a conseqüência de troca de informações genéticas, ampliam assustadoramente a velocidade da evolução, premiando a Terra com as primeiras células dotadas de núcleo, bem como plantas capazes de utilizar a energia solar para a produção de alimentos e a liberação de um gás muito importante para o planeta: o oxigênio.

    Desponta dezembro e a marcha dos seres vivos não conhece mais obstáculos. Após a conquista do mar pelo plâncton e os invertebrados, estes avançam sobre a terra firme; após algumas horas o céu também está vivo, repleto de insetos alados.

    Para não perder de vista as dimensões de tempo aqui envolvidas, lembremos que no dia 16 de dezembro cósmico a mais sofisticada forma de vida existente na Terra eram os vermes. Oito dias depois já existem os brontossauros com 20 m de comprimento e outras tantas toneladas de peso.

    • 25 de Setembro - Origem da vida na Terra.
    • 9 de Outubro - Presença dos primeiros organismos (bactérias e algas verdes-azuladas).
    • 1º de Novembro - Formação das rochas mais antigas de que se tem conhecimento. Os microorganismos começam a se reproduzir sexualmente.
    • 12 de Novembro - Aparecimento dos fósseis mais antigos de plantas fotossintéticas.
    • 15 de Novembro - Origem das eucariotas (primeiras células providas de núcleo).
    • 16 de Dezembro - Aparecem os primeiros vermes.
    • 17 de Dezembro - Era Paleozóica e Período Cambriano. Os invertebrados povoam o planeta.
    • 18 de Dezembro - Origem do plâncton oceânico. Prosperam os trilobistas.
    • 19 de Dezembro - Período Ordoviciano. Os primeiros peixes povoam as águas e alguns se arriscam em terra firme.
    • 20 de Dezembro - Período Siluriano. Origem das plantas vascularizadas que conquistam a Terra.
    • 22 de Dezembro - Surgimento dos primeiros anfíbios. Os insetos alados povoam o céu.
    • 23 de Dezembro - Período Carbonífero. Surgem as primeiras árvores. Inicia-se o império dos répteis.
    • 24 de Dezembro - Início do Período Permiano. Os répteis atingem o seu apogeu com os dinossauros.
    • 26 de Dezembro - Período Triássico. Menores e mais adaptados às mudanças do meio ambiente, os mamíferos iniciam a sua escalada.
    • 27 de Dezembro - Período Jurássico. Depois dos insetos e dos répteis é a vez das aves descobrirem os céus.
    • 28 de Dezembro - Período Cretáceo. Surgimento das primeiras flores. Os dinossauros desaparecem do planeta.
    • 29 de Dezembro - Início da Era Cenozóica e do Período Terciário. Através dos cetáceos os mamíferos povoam os mares. Nas florestas a saga humana se inicia com os primatas.
    • 30 de Dezembro - Evolução inicial dos lobos frontais nos cérebros dos primatas. Aparecimento dos primeiros hominídios que convivem com mamíferos gigantes.

    Em segundos, a inteligência

    • 13h30m-Origem do Proconsul e do Ramapithecus, prováveis antepassados dos antropóides e do homem.
    • 22h30m-Primeiros homo sapiens.
    • 23h-Dissemina-se o uso de instrumentos de pedra.
    • 23h46m-O homem de Pequim domestica o fogo.
    • 23h56m-Início do período glacial mais recente.
    • 23h58m-Navegantes descobrem a Austrália.
    • 23h59m-Nas cavernas da Europa o homem inicia a história da arte.
    • 23h59m20s-O homem começa a cultivar o seu alimento.
    • 23h59m35s-A civilização neolítica cria as primeiras cidades.
    • 23h59m50s-Na Suméria e no Egito surgem as primeiras dinastias. A astronomia entra em pleno desenvolvimento.
    • 23h59m51s-Invenção do alfabeto.
    • 23h59m53s-Guerra de Tróia. Desenvolve-se a metalurgia em bronze. Invenção da bússola.
    • 23h59m54s-Fundação de Cartago. Desenvolve-se a metalurgia em ferro.
    • 23h59m55s-Nascimento de Buda.
    • 23h59m56s-Império Romano. Nascimento de Cristo.
    • 23h59m57s-Zero e decimais na aritmética indiana.
    • 23h59m58s-Civilização Maia. Império bizantino. Invasão mongol. Cruzadas.
    • 23h59m59s-A Europa vive o Renascimento. Viagens de descobrimentos empreendidas pelos europeus e pela dinastia Ming da China. Criação do método experimental científico. 
    Primeiro segundo do Ano Novo, o Agora
    • Desenvolvimento da ciência e da alta tecnologia. Surgimento de uma cultura global. Criação de meios de destruição do planeta e da espécie humana. Naves espaciais exploram outros planetas na busca de uma inteligência extraterrestre.

    Fonte: 

    Revista "Super Interessante": http://super.abril.com.br/superarquivo/1987/conteudo_110954.shtml

    Explorando o céu

    Povoadas de brilhantes estrelas na época das férias, as noites quentes de dezembro a fevereiro representam um manancial de maravilhas que podem ser descobertas mesmo por leitores totalmente leigos no assunto. A melhor maneira de explorar o céu é em grupo, crianças e adultos seguindo juntos um conjunto de regras muito simples, mas precisas.

    Para usar todo o potencial de seus olhos, não olhe para ambientes iluminados durante o tempo em que estiver observando o céu. O olho leva cerca de meia hora para se ajustar às condições de escuridão total. Use, se necessário, uma lanterna pequena, cobrindo o facho com uma folha de papel fino. Arrume um lugar confortável e diverta-se!

    A partir da ilustração abaixo, as Três Marias serão nossas guias na noite. Igualmente espaçadas e quase iguais em brilho, é muito fácil achá-las olhando para o leste, um pouco acima do horizonte. Não é à toa que muitos povos as conhecem. Para os portugueses, elas são os Três Reis Magos. Para os ingleses, três rainhas. Para os beduínos, três pérolas. Para os esquimós, três pescadores perdidos no mar. Para os gregos, o cinturão de Orion, o caçador.

    Mintaka, Alnilam e Alnitak são os nomes oficiais das estrelas do trio. Mintaka está quase exatamente sobre o equador celeste: sua posição no horizonte, ao nascer, demarca o ponto cardeal Leste; o ponto em que se põe assinala o Oeste.

    Ao contrário de muitos outros grupos de estrelas, as Três Marias estão realmente próximas entre si; da Terra, distam cerca de 1 300 anos-luz (1 ano-luz são 9,5 trilhões de quilômetros). Com o céu muito escuro e transparente, você poderá ver a nebulosa de Órion a olho nu.


    Orion - constelação à qual pertencem as Três Marias - domina o céu de verão. Duas estrelas bem brilhantes de Orion ladeiam o trio à mesma distância: à esquerda, Betelgeuse, e à direita, Rigel. A distância delas até as Três Marias é igual à de um punho fechado, projetado contra o céu, mantendo o braço esticado. 


    Betelgeuse é uma supergigante vermelha, em estado avançado de evolução.
    Está a 640 anos-luz e é tão grande que, se estivesse no lugar do Sol, engoliria todos os planetas até Marte. Rigel é uma supergigante azul, muito jovem e quente, a 800 anos-luz. À direita das Três Marias, em diagonal, se pode ver uma fileirinha de estrelas, formando a espada de Orion. Não muito longe daí se acha Sirius, a estrela de maior brilho aparente de todo o céu.

    Ela fica praticamente sobre a linha imaginária que liga as Três Marias, como Aldebaran. Ambas distam do trio cerca de um palmo (projetado contra o céu, com o braço esticado). Sirius está a 8,8 anos-luz e é uma das estrelas mais próximas do Sol.

    Em torno dela, os antigos imaginaram uma figura a que deram o nome de Cão Maior. Nesse cenário de caça, Orion persegue o Touro, que pode ser achado através de Aldebaran. Esta fica em posição simétrica a Sirius, em relação às Três Marias - na direção noroeste, à esquerda e acima daquele trio.

    Segundo a mitologia, Aldebaran representa o olho do Touro branco em que Zeus teria se transformado para raptar Europa, a princesa dos fenícios.

    A partir daqui, saltando de constelação, o leitor está preparado para explorar uma parcela considerável do céu.

    Agora vamos explorar Aldebaran e seu entorno. Tente fazer uma reta imaginária que sai de Órion para uma estrela vermelha cercada de outras, agrupadas em formato de "V" (Aglomerado aberto Hyades), que contém 100 estrelas espalhadas em uma região de 16 anos-luz de extensão. Você achou a constelação doTouro.

    As Hyades estão a 137 anos-luz de nós. Esta distância é a pedra fundamental sobre a qual se assentam todas as outras distâncias cósmicas: grandes erros na distância das galáxias se devem a pequenos erros na determinação da distância das Hyades. Esse aglomerado é bem jovem para os padrões cósmicos: 600 milhões de anos.

    As Plêiades, um grupinho de estrelas acima e à esquerda das Hyades, são parte de um aglomerado aberto ainda mais jovem: 50 milhões de anos. Estão três vezes mais distantes que as Hyades, ocupam um espaço um pouco menor que o delas (num diâmetro de 13 anos-luz) e somam 120 estrelas.

    No Brasil, elas são conhecidas por vários nomes, como Chave de São Pedro ou Setestrelo. Na mitologia, eram as sete irmãs do gigante Atlas que sustentava as colunas do mundo. Um jogo divertido consiste em pedir a várias pessoas que digam quantas estrelas conseguem ver. Os números dão idéia da acuidade visual das pessoas, favorecendo os mais jovens.

    Procyon, a apenas 114 anos-luz, pode ser achada a partir de Sirius e Betelgeuse (fica a igual distância das duas, mais para leste). E abre caminho para se achar Gêmeos, se já estiver acima do horizonte.

     
    Amesma distância que une Procyon a Sirius ou Betelgeuse, olhando para a esquerda, vê-se um grupinho de duas estrelas. As  principais de Gêmeos: Pollux (a 36 anos-luz) e Castor (46 anos-luz).

    Na mitologia, os Gêmeos eram irmãos da célebre Helena de Tróia. Vamos expandir mais ainda nossos horizontes para norte e para sul. A distâncias iguais de Procyon, logo acima do horizonte, surgem duas estrelas bem brilhantes.

    Capella, a mais brilhante da constelação do Cocheiro, fica ao norte a 46 anos-luz, e Canopus, a estrela mais brilhante de Carina, fica ao sul, a 200 anos-luz. De frente para Procyon, pode-se enxergar as duas sem precisar mover a cabeça. Canopus é uma amostra de gigante amarela.

    Agora fique de frente para o sul, olhe para leste e relembre a posição de Sirius e Canopus. À direita de Canopus, a uma distância quase igual à de Sirius-Canopus, um pouco mais alta no céu, há uma estrela relativamente brilhante e isolada. É Achernar, de cor azul e a 127 anos-luz.

    A uma distância também igual à de Canopus-Acherhar, mas na direção do oeste, está Fomalhaut, de brilho menor. Girando a cabeça para o oeste, se não for muito tarde, o brilhante planeta Vênus.

    Ao Sul, entre Canopus e Achernar, um pouco mais baixas no horizonte, estão duas manchas luminosas: as Nuvens de Magalhães, chamadas no interior do Brasil de Covas de Adão e Eva. São os dois corpos fora de nossa galáxia mais fáceis de ver a olho nu. Elas próprias são galáxias pequenas, satélites da nossa.

    A Grande Nuvem de Magalhães está a 170 mil anos-luz. A mancha que você está vendo tem 23 mil anos-luz de tamanho e contém 10 bilhões de sóis. Note que a luz que agora chega a seus olhos começou a viagem das Nuvens de Magalhães na época em que o ser mais evoluído da Terra era o homem de Neandertal.

    Ao lado da pequena Nuvem de Magalhães você poderá ver, mesmo a olho nu, o aglomerado globular 47 Tucanae, um grupo de estrelas muito velhas: 10 bilhões de anos. Ele contém cerca de 100 mil estrelas e está a 17 mil anos-luz. Pertence, portanto, à Via Láctea. Afinal, gire sua cadeira 90 graus para a direita para chegar a última "fase".  Olhando para o alto do céu, estão várias constelações que representam coisas ligadas à água: Aquário, Peixes, a Baleia, o Rio Erídano e Áries, a cabra marinha.

    Procure um grande quadrado formado por quatro estrelas não muito brilhantes, logo acima do horizonte. É a constelação do Pégaso, conhecida desde 500 a. C. Um pouco mais abaixo do Pégaso, à direita, está a constelação de Andrômeda. Localize a estrela Mirach.

    Um pouco abaixo e à esquerda dessa estrela, está a famosa galáxia de Andrômeda. Se o céu estiver limpo e escuro, vale a pena gastar tempo para achar essa manchinha esbranquiçada onde se agrupam 300 bilhões de estrelas.

    Afinal, ela deu aos astrônomos uma idéia da própria galáxia em que o homem nasceu - que, por viver em seu interior, não pode ter uma idéia direta da maravilha que ela representa por inteiro.



    Fonte: Lamentamos, mas não temos certeza a quem este artigo pertence. Por favor responsável, fale conosco, para assim colocarmos os devidos créditos. Acreditamos que possa ser de uma dessas fontes:

    Revista "Super Interessante"; Revista "PLANETA"; Revista "MUNDO ESTRANHO"; Revistas sensacionalistas; http://ciencia.hsw.uol.com.br, ou da Revista VEJA.


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    O fascínio dos cometas

    Cientistas querem descobrir qual a origem do sistema solar através do estudo dos cometas; boxe sobre possíveis catástrofes provocadas por cometas.

    Sempre foram um espetáculo para os observadores. Mas os cientistas também querem arrancar deles a verdade sobre a origem do sistema solar.

    No Laboratório Nacional de Astrofísica, no Pico do Dias, município mineiro de Brasópolis, houve noites em que os astrônomos desviaram o foco dos telescópios das regiões mais longínquas do Universo e solenemente desprezaram a possibilidade de enxergar novas galáxias, estrelas ou até mesmo corpos estranhos como os quasares. Em vez disso, como tantos outros colegas e observadores amadores do mundo todo, eles se aglomeraram feito crianças no observatório, a 1860 metros de altura, e, sem se importar com o ar gelado da montanha, ficaram pacientemente esmiuçando o céu à procura de um risco luminoso.

    Foi emocionante, recorda o fotógrafo Rodrigo Campos, do Observatório Nacional. De setembro de 1985 a julho de 1986, sob orientação do professor Oscar Matsuura, da Universidade de São Paulo, Rodrigo tirou 280 placas fotográficas daquele risco - o caprichoso cometa Halley. Para ele, como para os demais observadores do cometa, a aparição do Halley foi um evento único, pelo qual valia a pena esquecer temporariamente todas as outras pesquisas. Não tanto pelo visual, porque o Halley não foi tão espetacular assim. Mas pelo fascínio que cerca o seu aparecimento", explica Rodrigo. Ex-fotógrafo de publicidade que há dez anos se dedica a registrar o desfile de astros no céu, ele já viu e fotografou os cometas menos populares mas não menos importantes que o Halley, como o Giacobini-Zinner, Wilson e IRAS-Araki-Alcock.

    Essa predileção pelos cometas, como ele mesmo define, não tem nada a ver com a forma majestosa desses astros - uma fita de luz de quilômetros de comprimento, às vezes mais brilhante do que qualquer estrela. Por isso, os antigos poeticamente associavam os cometas a mulheres de longas cabeleiras penteadas pelo vento para trás. E daí a origem do nome, derivado da palavra grega que significa cabelo. Mas os modernos astrônomos não estão preocupados com poesia. Para eles, os cometas são dignos de estudo como relíquias do passado, fósseis siderais de 4,6 bilhões de anos, remanescentes dos primeiros tempos de formação do sistema solar. Armazenados na chamada Nuvem de Oort, além de Plutão, estão protegidos pela distância dos efeitos da radiação e do impacto dos meteoritos. Além disso, não manifestam naquelas lonjuras atividade vulcânica nem outros fenômenos que afetaram satélites e planetas.

    De vez em quando, por algum motivo ainda mal compreendido - que pode ser a passagem de uma estrela ou mesmo o efeito das marés da Via Láctea (como entre a Lua e a Terra)-, rompe-se o equilíbrio gravitacional que mantém os cometas quietos e a distância, e alguns deles desabam para as vizinhanças do Sol. Isso não é muito raro. "Acho que observamos uma média de dez visitas por ano", calcula o astrônomo e matemático Masayoshi Tsuchida, da Universidade de São Paulo. Em setembro, por exemplo, estamos recebendo o cometa Brorsen-Metcalf. Será a terceira vez que se tem conhecimento de que ele dá uma volta pelo sistema solar e a primeira prevista com antecipação.

    Mas, para desapontamento do fã-clube terrestre, nem sempre - ou melhor, quase nunca - os cometas anunciam a sua chegada com a pompa do Halley. Em geral, aparecem como meros borrões no céu e fica por conta da imaginação ou do alcance dos instrumentos óticos vê-los como são. Os núcleos são uma espécie de iceberg - pedaços de rocha cobertos de gelo de cerca de 5 a 10 quilômetros de diâmetro. A medida que se aproximam do Sol, algumas porções do gelo começam a derreter. Na sua superfície formam-se gêiseres que derramam jatos de partículas finas ao redor. A gravidade do núcleo é tão pequena que qualquer lufada de gás e poeira escapa para o espaço. Assim, esses icebergs passam a ser envolvidos por uma nuvem de poeira, cristais de gelo e gás. É a coma ou cabeleira.

    A última metamorfose é a mais espetacular e intrigante: aparece a cauda, ou o véu de partículas finas, sopradas em direção contrária ao Sol, sem a qual nenhum cometa consegue manter o seu prestígio. As vezes, até exageram: ganham duas ou mais caudas, uma reta, azul, de gás ionizado, outra mais curva, amarela, de poeira. Essas caudas, porém, são a mais ilusória de todas as partes do cometa na verdade são quase um truque de ótica. Compostas de partículas ínfimas e rarefeitas, quase não têm massa. O que as torna visíveis e espetaculares é a luz do Sol refletida - como os primeiros raios da manhã que percorrem uma superfície empoeirada. O fenômeno é conhecido desde o século XVII, quando o físico inglês Isaac Newton (1643-1727) sugeriu que "a cauda de um cometa com milhares de quilômetros de comprimento, se submetida ao mesmo grau de condensação da Terra, poderia ser facilmente guardada num dedal".

    Em fotos tiradas por um satélite da Força Aérea americana, descobriu-se que alguns cometas seguem uma trajetória tão próxima do Sol que acabam sendo engolidos por ele. Outros possuem órbitas quase parabólicas, com períodos de milhares de anos. Há ainda aqueles cuja passagem pelo sistema solar se restringe a uma única vez. Mas um bom número de cometas sofre uma drástica alteração de sua trajetória quando passa perto de um planeta - em geral Júpiter, o maior de todos - e por isso fica aprisionado no sistema solar. Depois de vários retornos, esses cometas perdem muito material, tornam-se menos ativos, levantam pouca poeira e a cauda deixa de ser tão espetacular.

    Por tudo isso, os cometas podem ser classificados como astros inconstantes; embora relativamente freqüentes, descobri-los é quase como ganhar na loteria. "Para os astrônomos profissionais é muito mais difícil flagrá-los pela primeira vez", comenta o carioca João Luiz Kohl, do Observatório Nacional, cuja tese de doutoramento, sobre a rotação do Halley, foi feita no Observatório de Medon, em Paris. Ele explica que "no apertado cronograma das observações, não sobram noites para procurar astros tão caprichosos". Segundo Kohl, os cometas são normalmente descobertos por amadores - insistentes caçadores desses corpos celestes, que por conta própria exploram sistematicamente o espaço e percebem a presença de um ponto de luz onde só havia treva.

    É o caso do fazendeiro Vicente Ferreira de Assis Neto, que observa cometas há trinta dos seus 52 anos de vida. Longe da poluição atmosférica e das luzes ofuscantes das grandes cidades, ele instalou em suas terras no município de São Francisco de Paula, no oeste de Minas, um telescópio de 30 centímetros, com o qual fez uma descoberta independente do cometa White-Ortiz-Bolelli, a 23 de maio de 1970, cinco dias depois que foi avistado pela primeira vez.

    O cometa recebeu esse nome em homenagem a seus três descobridores: o então estudante australiano G.L. White e o piloto Emílio Ortiz, da Air France, e o astrônomo profissional Carlos Bolelli, do Observatório de Cerro Tololo, no Chile. Assis Neto, que mantém correspondência com a União Astronômica Internacional, não perde a esperança de dar seu próprio nome a um cometa: "Tenho certeza de que vou descobrir mais um nos próximos anos", confia.

    Por sorte, a tentativa de compreender os cometas conta com preciosos aliados do passado. Em toda a História foram catalogados cerca de mil cometas, embora algumas centenas tenham sido avistados em mais de uma aparição. Seu estranho comportamento, associado à crendice de que os movimentos dos corpos celestes influenciam os destinos humanos, fizeram com que, no passado, os cometas fossem ligados a acontecimentos excepcionais - bons e maus. Após a passagem de um cometa em 64 d.C., por exemplo, o imperador romano Nero teria ordenado uma de suas célebres matanças. A estrela de Belém, que os astrônomos modernos supõem tratar-se de uma conjunção de Júpiter e Saturno ocorrida no ano 6 a.C., foi retratada por Giotto no afresco de 1304, Adoração dos Magos, como um cometa. Outro espécime foi registrado pelas crônicas européias do século XII, coincidindo com a época das cruzadas - e tanto cristãos como mouros teriam pensado tratar-se de maus presságios.

    O pensador grego Aristóteles, do século III a.C., acreditava que os cometas fossem gases luminescentes espalhados na atmosfera terrestre. Essa concepção só foi abandonada no século XVI, quando o astrônomo dinamarquês Tycho Brahe (1546-1601) demonstrou que o cometa de 1577 passou a pelo menos seis vezes a distância da Lua. Mesmo assim, muito tempo depois ainda se acreditava que os cometas fossem astros transitórios, bem diferentes das estrelas e planetas. Essa idéia sobreviveu até aos cálculos de Kepler, Copérnico e Galileu no século XVI sobre o movimento dos astros. Só a partir do século XVII, quando Newton mostrou que todos os corpos pesados se movem uns em torno dos outros segundo as leis rígidas de gravitação, começou-se a pensar que também os cometas deveriam ter uma órbita.

    Coube a um amigo de Newton, o astrônomo, também inglês, Edmond Halley (1656-1742), provar que o cometa por ele observado em 1682 era o mesmo de 1456, 1531 e 1607 - e que os chineses já o haviam registrado desde 240 a.C. Halley previu então a sua volta para 1758. Ele morreu dezessete anos antes de ver confirmada a hipótese. Mas na data prevista, brilhando de novo entre as estrelas, lá estava o cometa - o mesmo que em 1986, 228 anos depois, causaria tanto entusiasmo entre os astrônomos do Laboratório Nacional de Astrofísica, em Minas. Se nesta sua mais recente aparição o astro que passou para a História com o nome de Halley não deu um show de primeira grandeza como se esperava, a Astronomia proporcionou um espetáculo à parte. Milhares de estudos, medições e análises - em terra e por meio de sondas espaciais - ainda estão esmiuçando todos os seus segredos.

    Ao cortar a cabeleira do Halley, quando chegou a cerca de 500 quilômetros do seu núcleo, a sonda européia Giotto foi a grande estrela dos astrônomos. Ela resistiu milagrosamente à chuva de poeira e mandou 3 mil fotos eletrônicas do coração do cometa, que mede 15 quilômetros de comprimento por 4 de largura. Antes dessa sonda, outras quatro pequenas naves repletas de instrumentos - as japonesas Sakisake e Suisei e as soviéticas Vega 1 e 2 - circularam pelas imediações. Os Estados Unidos reutilizaram dois de seus satélites no espaço, a Pioneer 12, em órbita de Vênus, e o Solar Maximum Mission, para acompanhar o Halley. Depois da passagem de todas essas sondas, os cientistas do Programa Internacional de Observação do Halley puderam descrever o núcleo do cometa como "uma batata torta com a superfície coberta de irregularidades que lembram montanhas, vulcões e crateras".

    Essa batata torta é uma bola de gelo e de grãos de rocha de silicatos, além de compostos moleculares, alguns dos quais orgânicos, isto é, formados à base de carbono. A presença desses compostos levou cientistas como o astrônomo inglês e dublê de escritor de ficção científica Fred Hoyle e o cingalês Chandra Wickramasinghe a sustentar uma hipótese no mínimo imaginosa: ao longo de centenas de milhões de anos, segundo eles, células primitivas, talvez bactérias espalhadas pelo espaço interestelar, teriam se incorporado a cometas quando estes se condensaram a partir da nebulosa solar. Essas células, afirmam os cientistas, poderiam ter chegado à Terra trazidas por um desses astros que se chocaram com o planeta há bilhões de anos.

    Que ocasionalmente cometas atingem a Terra parece certo. Alguns cientistas acreditam, por exemplo,que uma pequena parte de um cometa chamado Encke explodiu na atmosfera da Sibéria central, a nordeste da Rússia, em 1908, causando um tremendo incêndio na floresta de Tunguska, que aniquilou árvores numa área de 500 quilômetros quadrados (SI n.º 12, ano 2). As superfícies da Lua e de outros satélites - preservados da erosão provocada por ventos e pela água - também exibem a marca de inúmeras colisões com corpos que vieram do espaço. Muitos destes, dizem os astrônomos, podem ter sido cometas - vivos e mortos. Os cometas vivos ainda estariam em plena atividade. Já os mortos teriam perdido boa parte da matéria após várias passagens pela proximidade do Sol e formariam centenas de asteróides com órbitas que cruzam a da Terra.

    Mas a idéia de que as condições típicas de um cometa seriam propicias à existência da vida é um pouco difícil de aceitar. Mesmo assim, dois cientistas ingleses - o Prêmio Nobel de Medicina de 1962, Francis Crick, co-descobridor da estrutura molecular do DNA (o constituinte fundamental dos genes), e o químico Leslie Orgel propuseram uma alternativa igualmente curiosa. Para eles, os cometas teriam trazido no núcleo os precursores químicos da vida, em forma de aminoácidos e outras moléculas. Há alguns meses, químicos do Instituto Scripps de Oceanografia, na Califórnia, identificaram dois tipos de aminoácidos de origem extraterrestre em rochas datadas de 65 milhões de anos.

    A descoberta veio acrescentar um pouco mais de romance à vida já fantástica dos cometas. Discute-se, por exemplo, se um deles teria sido responsável pela extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos. A tese foi apresentada pela primeira vez em 1979, pelo Prêmio Nobel de Física Luis Alvarez e por seu filho, o geólogo Walter Alvarez. Para eles, um cometa ao chocar-se com a Terra produziu poeira suficiente em suspensão para que o céu escurecesse, como ocorreria hoje depois de uma guerra nuclear. A ausência de luz solar faria a temperatura cair, levando à extinção a maioria das espécies da Terra, entre elas os dinossauros.

    Enquanto muitos aspectos da história dos cometas já foram compreendidos, outros ainda continuam um completo mistério. As pesquisas, portanto, prosseguem. A agência espacial americana NASA pretende lançar nos próximos anos a nave CRAF (sigla em inglês de Encontro com Cometa e Sobrevôo de Asteróide), que tentará interceptar um cometa até o final do século. Será um encontro e tanto. Segundo o astrônomo Kohl, do Observatório Nacional, "a CRAF disporá de um perfurador parecido com o que se usa nos poços de petróleo para retirar uma amostra do material que compõe o núcleo do cometa".



    Fonte: Lamentamos, mas não temos certeza a quem este artigo pertence. Por favor responsável, fale conosco, para assim colocarmos os devidos créditos. Acreditamos que possa ser de uma dessas fontes:

    Revista "Super Interessante"; Revista "PLANETA"; Revista "MUNDO ESTRANHO"; Revistas sensacionalistas; http://ciencia.hsw.uol.com.br, ou da Revista VEJA.


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    O Futuro do Sistema Solar

    Que vai acontecer com o Sol e os planetas nos próximos bilhões de anos? Muita coisa ruim: Mercúrio e Vênus vão desaparecer e a Terra ficará sem água.

    Como todas as estrelas, o Sol um dia ficará velho – e isso decretará devastadoras mudanças nos oito planetas que o rodeiam. Quando envelhecer, daqui a 5 bilhões de anos, o grande astro, onde cabe 1 milhão de planetas como o nosso, ficará 10 mil vezes maior ainda. Tamanha expansão o levará a ocupar no espaço o lugar por onde hoje passa a Terra em sua órbita. Será o apocalipse em todo o sistema solar. O colossal acréscimo de calor fará montanhas enormes tremer como geléia, luas geladas começarão a derreter-se e atmosferas espessas devem aparecer onde nunca antes soprou a mais leve brisa.

    O destino do Sol já está traçado. Ele se formou há cerca de 4,6 bilhões de anos, junto com os planetas, do colapso de uma nuvem de gás e poeira. Sob o efeito da compressão, a temperatura no interior dessa estrela aos poucos chegou a 10 milhões de graus. Nesse ponto, as reações nucleares no seu interior começaram a transformar o hidrogênio em hélio. No período que então se iniciou, que os astrônomos chamam seqüência principal, a energia interna contrapôs-se à pressão gravitacional da própria estrela, que assim parou de se contrair, mantendo-se constante. Calcula-se que o Sol permaneça mais 5 bilhões de anos nessa fase - a mais longa da vida de uma estrela.

    Durante esse período, no qual surgiu e se multiplicou a vida na Terra, seu brilho só tende a aumentar. Ao surgir, o Sol tinha apenas 70% do brilho atual. No fim da seqüência principal, a luminosidade será três vezes maior do que a atual. Naturalmente, essa variação se reflete nos planetas. Depois de se formarem, todos os três pequenos planetas irmãos - Vênus, Terra e Marte - provavelmente tinham água em estado líquido, o que é meio caminho andado para o aparecimento da vida. A água aparece quando a temperatura está acima de 0°C e a pressão em torno de 6 milibares (1 milibar é 1 milésimo de uma atmosfera terrestre).

    Em Vênus, que recebe do Sol duas vezes mais energia do que a Terra, a temperatura começou a aumentar em conseqüência de um fenomenal efeito estufa que teria destruído o oceano primitivo. A água que existia no planeta evaporou-se e se acumulou na atmosfera. O vapor ali funcionou como um gigantesco cobertor, impedindo que o calor escapasse para o espaço depois de refletido pelo planeta. Em seguida, a radiação solar ultravioleta decompôs as moléculas de vapor de água em hidrogênio e oxigênio.

    O hidrogênio, mais leve, escapou para o espaço. O oxigênio acabou voltando para o planeta, combinando-se quimicamente com o material rochoso da superfície. Outro gás presente no efeito estufa venusiano - o dióxido de carbono expelido pelos vulcões - se acumulou na atmosfera do planeta, de onde não foi removido pelas chuvas, ao contrário do que aconteceu na Terra. A temperatura em Vênus hoje é de 550°C, o dobro do que seria sem o efeito estufa.

    Que aconteceu ao nosso planeta na época em que o Sol brilhava menos? Teoricamente, toda a água da Terra teria ficado congelada. Mas não há evidências de que isso ocorreu. A explicação pode estar no efeito regulador do dióxido de carbono como gás do efeito estufa. Os oceanos não se congelaram e a água manteve um volume estável porque a atmosfera terrestre era mais rica em dióxido de carbono, e a temperatura do solo mais alta. Mas, à medida que o Sol se tornou mais brilhante, mais água evaporou. As chuvas também aumentaram, trazendo o dióxido de carbono à superfície. O gás passou a fazer parte da crosta terrestre, incorporando-se às rochas, só em parte ínfima voltou à atmosfera terrestre alguns tempo depois, quando passou a ser liberado pelos vulcões.

    Marte, como a Terra, também tinha água quando sua atmosfera era mais densa. Mas ali não havia a mesma atividade geológica que marcou a face terrestre - talvez porque o planeta esfriasse depressa em conseqüência do seu pequeno tamanho. Sem a realimentação da atmosfera pelo dióxido de carbono dos vulcões, o ar de Marte foi se tornando mais fino e a água no estado líquido aos poucos desapareceu da sua superfície. A idade das crateras marcianas indica que os canais escavados pela água devem estar secos há bilhões de anos. Os cientistas imaginam que abaixo da superfície exista um reservatório de gelo capaz de cobrir o solo marciano com 10 metros de água. Toda essa água pode aflorar à superfície daqui a 1 bilhão de anos, quando a energia solar aumentar 20%.

    O calor deve sublimar (vaporizar diretamente do estado sólido) a água e o dióxido de carbono que também estaria congelado nas calotas polares marcianas. O aumento da pressão atmosférica acabará permitindo o aparecimento de água líquida nas regiões onde a temperatura chegar a 0°C. Em todo o planeta, a temperatura média deve aumentar 10°C. O calor adicional armazenado pelo efeito estufa garante que não faltará água durante os verões marcianos. Exposta à atmosfera, no entanto, esta água deve evaporar facilmente. Então, como no período anterior, durante os 10 milhões de anos seguintes, o dióxido de carbono será removido da atmosfera; não havendo atividade geológica, ficará retido na crosta marciana.

    Nos próximos 3 bilhões de anos, quando o brilho do Sol aumentar mais da metade, a atmosfera de Marte será constituída principalmente de vapor de água. Desta vez, o calor - haverá um aumento de 25°C na temperatura -, a chuva e a erosão tornarão o clima mais parecido com o da Terra. Esse úmido paraíso marciano, a longo prazo, só será ameaçado pela radiação solar ultravioleta. Como ocorreu em Vênus, as moléculas de água, expostas à radiação, devem se quebrar em hidrogênio e oxigênio, O hidrogênio se perderá no espaço e o oxigênio ficará acumulado na atmosfera. O vapor de água vai acabar desaparecendo. Isso não acontece na Terra porque o nitrogênio é o gás dominante na atmosfera e o vapor fica confinado nas nuvens mais baixas.

    De 1 a 3 bilhões de anos adiante, quando Marte estiver começando a ser um planeta hospitaleiro, a Terra estará a caminho de se tornar um deserto. O fenômeno terá causas naturais: um aumento de 10% no fluxo de energia solar sobre a parte mais alta da atmosfera terrestre nos próximos 500 milhões de anos. Isso tenderá a acelerar o efeito estufa como um círculo vicioso. Os oceanos aumentam a evaporação e a evaporação eleva a temperatura. Mais vapor de água na atmosfera bloqueando a passagem do calor tende a aumentar a evaporação. Deixando de lado a hipótese de alguma intervenção humana, que poderia retardar ou apressar esse processo, toda a vida na Terra estará extinta entre os próximos 2 e 3 bilhões de anos.


    Passados 10 bilhões de anos desde a sua formação, o núcleo do Sol terá queimado todo o seu hidrogênio. O hélio, por sua vez, começará a se contrair sob o efeito da própria gravidade. Será o fim da seqüência principal. Para compensar a contração do núcleo, as camadas externas do Sol vão começar a se expandir e a esfriar. Ele se tornará uma estrela muito maior e mais brilhante e sua cor deixará de ser branca ou amarela para adquirir um tom vermelho. Os astrônomos chamam essa fase gigante vermelha. Mais 1 bilhão de anos e o Sol chegará a metade de sua distância atual de Mercúrio. Se alguém na Terra ainda estivesse vivo, veria o Sol cinqüenta vezes maior no céu e 300 vezes mais brilhante do que hoje. Mercúrio e Vênus vão derreter-se e a temperatura na Terra pode chegar a 750°C.

    Enquanto isso, que estará acontecendo com os planetas gigantes além de Marte e seus satélites gelados? Três das quatro grandes luas de Júpiter, chamadas galileanas, com vastos depósitos de água congelada, começarão a derreter feito sorvete. Uma delas, Europa, não só é coberta por uma crosta de gelo quase puro como também possui no subsolo um oceano líquido com 100 quilômetros de profundidade. As outras luas, Ganimedes e Calisto, têm gelo e rochas em proporções quase iguais, embora na superfície o gelo seja predominante. Não se sabe quando esses megasatélites de Júpiter começarão a derreter-se, porque não se tem idéia do volume de amônia presente no gelo da superfície.


    A presença de água em estado líquido nas três luas abriria caminho para o aparecimento de atmosfera - e, como sempre, do efeito estufa resultante da evaporação. O vapor de água aprisiona mais calor e, em conseqüência, aumenta a temperatura local.

    Mas a inexorável evolução solar vai mudar o panorama. Quando a grande estrela estiver no fim da fase gigante vermelha, a temperatura nas três luas será de 250°C e a água irá evaporar e se volatizar rapidamente. Entretanto, como esse calor não vai durar muito, sempre sobrará um pouco de água nos satélites de Júpiter. Titã, a maior lua de Saturno, já tem uma atmosfera de nitrogênio e metano e pressão de 1,5 bar, 50% a mais do que na Terra. Em sua superfície, escondida por uma espessa camada de nuvens, existem ali lagos de etano e metano (e, provavelmente, água congelada).

    Enquanto isso, nada deve ocorrer de significativo nas dezenas de pequenas luas e nos anéis de gelo e poeira em volta dos quatro planetas gigantes - Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Embora esses pequenos corpos tenham água congelada, esta acabará se transformando em vapor, que escapará para o espaço num prazo relativamente curto, em termos cósmicos, é claro. Sem gravidade suficiente para reter o gás, porque são muito diminutos, tais satélites e anéis não terão atmosfera e deverão se comportar como pequenos cometas dotados de caudas enormes.

    Para estrelas com a massa do Sol, a fase gigante vermelha termina abruptamente com o hélio queimando dentro do núcleo. A luminosidade, que havia aumentado 300 vezes, diminui. Ainda assim, o Sol estará cinqüenta vezes mais brilhante do que agora. O raio do astro também diminuirá e sua superfície ficará mais quente e azulada. Essa fase, relativamente breve na vida de uma estrela, dura cerca de 100 milhões de anos e os astrônomos costumam chamá-la ramo horizontal. No resto do sistema solar, a temperatura deve cair 60% em relação ao período gigante vermelha, anterior. Os pequenos planetas ditos terrestres - Mercúrio, Vênus, Terra e Marte - e os satélites de Júpiter estariam muito quentes para conservar água no estado líquido. Isso poderia acontecer apenas em Titã, a grande lua de Saturno.

    O Sol, no período seguinte, supergigante vermelha, terá um núcleo de carbono-oxigênio envolto por duas camadas ardentes: uma de hélio, outra de hidrogênio. Essas duas camadas vão crescer, tornando o astro quase 10 mil vezes mais brilhante do que hoje. O Sol então "atingirá" a (atual) órbita terrestre (150 milhões de km). Quando isso acontecer, as temperaturas no sistema solar vão subir dez vezes - inevitavelmente, também a Terra e Marte começarão a derreter-se. Até Tritão, lua de Netuno, terão temperaturas desérticas. Já o efeito do calor sobre os quatro planetas gigantes será apenas marginal. Como são muito grandes e compostos principalmente de gases, uma parte desse material deve se expandir e se perder no espaço. Mas a estrutura interna dos planetas permanecerá inalterada.

    Destino mais trágico aguarda Mercúrio e Vênus, engolidos pelas camadas exteriores do Sol. Quando a estrela em expansão engolfá-los, os dois planetas começarão a evaporar e a espiralar-se em direção do núcleo solar. A Terra talvez passe por essa mesma experiência. Mas, coberto por um oceano de rocha líquida, o planeta poderá se salvar porque não estará mais na órbita atual. Gigantes e supergigantes vermelhas perdem considerável parte de suas massas ao liberar grande quantidade de gás e poeira. No caso do Sol, quase a metade da massa escapará para o espaço, reduzindo a sua gravidade.

    Na época em que a superfície do Sol estiver se expandindo e se aproximando da órbita da Terra, esta já terá se retirado para mais longe e assim será mantido o equilíbrio. De qualquer modo, é difícil prever o que vai acontecer com o planeta. Se sobreviver a essa fase, será apenas um globo pastoso e vítreo. Marte e os outros planetas do sistema solar também poderão sobreviver, mas em órbitas mais distantes. Até o fim da fase supergigante vermelha, o único lugar do sistema solar onde poderá existir água em estado líquido será Tritão, o satélite de Netuno.

    Visto da superfície de Tritão, atualmente a 4,5 milhões de quilômetros do Sol, este terá oito vezes o tamanho atual. O céu deverá brilhar dia e noite, porque a luz solar refletirá os turbilhões de poeira do vento que vem do astro. Se acontecer com o Sol o mesmo que acontece com outras supergigantes vermelhas estudadas pelos astrônomos, o céu noturno será tão brilhante quanto o diurno, mas a cor não será a mesma. As minúsculas partículas de poeira dispersarão as ondas mais azuis do espectro de luz, do mesmo modo que as moléculas de gás na atmosfera terrestre fazem o céu ficar azul.

    O céu noturno nesse futuro sistema solar será róseo como hoje é o entardecer logo após o poente. Não só o Sol, mas também os cometas devem contribuir para o acúmulo da poeira. Muitos cientistas acreditam que, além de Plutão, nos limites do sistema solar, existe um círculo de cometas chamado cinturão de Kuiper, que se estende por centenas de milhões de quilômetros. Quando o Sol estiver nas fases gigante e supergigante vermelha, esses cometas começarão a sublimar o gelo que envolve os seus núcleos, liberando grandes quantidades de poeira e vapor.

    No final de sua vida, daqui a 7 bilhões de anos, as camadas exteriores do Sol terão se transformado numa nebulosa planetária. O núcleo será então uma bola de carbono e oxigênio, inerte, compacta e muito quente. Quando a força da gravidade contrabalançar a pressão, o núcleo deve parar de se contrair e de gerar calor. O Sol terá então se transformado numa anã branca, com apenas a metade de sua massa atual, volume igual ao da Terra e densidade de uma tonelada por centímetro cúbico. Os planetas que sobreviverem terão dobrado a sua distância orbital. Além disso, calcula-se que metade dos cometas abrigados no cinturão de Kuiper se perderão no espaço, atraídos pela gravidade das estrelas.

    Entre as fases supergigante e anã branca, a luminosidade do Sol cairá 1 milhão de vezes - seja lá o que queira dizer tamanho encolhimento. Cada planeta sobrevivente terá de novo e durante alguns milhares de anos temperaturas compatíveis com a existência de água líquida. Visto da Terra, que estará então orbitando a 300 milhões de quilômetros do Sol - quase o dobro da distância atual. A temperatura absoluta no sistema solar deverá diminuir três vezes. Na Terra, novamente sólida, ficará em torno de 200°C negativos. A cor do então solzinho deverá ficar esbranquiçada no começo, para depois se deslocar rumo às faixas amarela, laranja e vermelha do espectro. Enfim, o Sol terá se transformado numa fria anã negra, reinando sobre uma corte de mundos derretidos e congelados, orbitando numa escuridão apenas iluminada pela luz de estrelas distantes.



    Fonte:  Possivelmente:

    (SUPERINTERESSANTE número 2, ano 4)

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    A cor das estrelas

    Existem estrelas de quase todas as cores – brancas, amarelas, azuis, vermelhas... Entenda porquê a cor é uma informação essencial para os astrônomos.

    Quando olhamos para o céu numa noite limpa e sem luar, longe das luzes da cidade, facilmente constatamos que muitas estrelas têm uma cor peculiar. Sírius e Vega, por exemplo, cintilam como diamantes branco-azulados.

    Capella tem um brilho amarelo, como um sol distante, enquanto Arcturus é levemente alaranjada. Betelgeuse, Aldebaran e principalmente Antares exibem um tom vermelho como um rubi. Ao telescópio, essas cores atingem tons de elevada pureza.

    O Sol aquece a Terra e os outros objetos do Sistema Solar com uma luz dourada. Por certo haverá planetas iluminados pelos raios de uma estrela azul. E o que dizer da alvorada em um planeta que resplandece sob a luz de dois sois? Que efeitos fantásticos de luzes e cores se alternam nesses mundos?

    Conhecimento em cores
    PARA COMEÇAR A ENTENDER ESSES FENÔMENOS, é importante recorrer a certos conceitos de Física. Sabemos que as folhas das árvores são verdes porque absorvem todas as demais radiações, exceto o verde, difundindo-o ao seu redor. Se a fonte de luz se apaga, os objetos desaparecem.

    Porém, a chama de uma vela tem luz própria, assim como uma barra de ferro numa fundição ou o filamento de uma lâmpada incandescente, que fica avermelhado se a energia elétrica está fraca, mas muda de cor, atingindo tons mais claros à medida que a temperatura aumenta.

    Devido à incandescência, esses objetos tornam-se fontes de luz – e sua cor depende diretamente da composição da luz que irradiam. Não é difícil analisar as cores de uma luz. Basta fazê-la passar por uma fenda delgada e atravessar um prisma de vidro. Com isso obtemos o espectro da luz.

    O espectro das estrelas geralmente se apresenta como uma faixa luminosa e contínua, contendo todas as cores do arco-íris interrompidas por raias escuras. Essas raias são as “impressões digitais” das estrelas, revelando a composição química das camadas superficiais do astro.

    Cada elemento químico tem a propriedade de mostrar raias no espectro em comprimentos de onda característicos. Comparando as raias de uma estrela com as obtidas em laboratório (com as “assinaturas” dos elementos químicos) é possível determinar a composição do astro.

    Estamos diante de uma das maravilhas do conhecimento científico: a espectroscopia. Ainda que não seja possível recolher uma amostra de uma estrela qualquer, somos capazes de determinar do que ela é feita – e com admirável precisão!

    Sem estrelas verdes
    A cor de uma estrela tem relação com a temperatura em sua superfície. Estrelas não muito quentes (cerca de 3.000 Kelvin) nos parecem avermelhadas. Já as estrelas amarelas, como o Sol, possuem temperatura em torno dos 6.000 Kelvin; e as mais quentes são brancas ou azuis porque sua temperatura fica acima dos 10.000 Kelvin.

    Uma estrela emite energia em todos os comprimentos de onda, mas não com a mesma intensidade. Existe um pico de sua radiância para cada temperatura. Uma quantidade de energia que vai determinar a cor predominante da estrela. É por isso que não existem estrelas verdes.

    Em princípio, deveriam existir estrelas em todas as cores do arco-íris (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta). Mas, quando essa seqüência de cores é obtida em função da temperatura de objetos incandescentes, a energia do branco se sobrepõe ao verde.

    Classificação estelar
    AS RAIAS VISÍVEIS NO ESPECTRO DE UMA ESTRELA permitem ordenar esses astros em classes de objetos similares. A classificação espectral atualmente em uso é baseado num esquema estabelecido em 1890 (Harvard Spectral Sequence).

    Da mais quente a mais fria, as estrelas são agrupadas em classes identificadas pelas letras do alfabeto W, O, B, A, F, G, K, M e também R, N e S. Como são muito poucas as estrelas que entram nas classes W, R, N e S, sobram apenas os sete grupos destacados, fáceis de memorizar considerando as iniciais da seguinte frase em inglês: Oh, Be A Fine Girl: Kiss Me!

    Cada classe é dividida em dez subgrupos numerados de zero a nove. O Sol pertence a classe espectral G2, sendo muito semelhante a Capella (G0), enquanto Sírius é da classe A1 e Betelgeuse da classe M2.

    Estrelas de comportamento excepcional são designadas pela letra p, de peculiar, e as anãs, gigantes e supergigantes são identificadas por d, g e s, respectivamente, colocadas antes da letra principal.

    Também foram introduzidas classes de luminosidades designadas pelos algarismos romanos de I a VII mais o algarismo arábico zero. A classe I, por sua vez, divide-se em Ia e Ib.

    Vários outros símbolos são utilizados nas classificações espectrais das estrelas. WC e WN, por exemplo, indicam estrelas de alta temperatura superficial (estrelas Wolf-Rayet, da ordem de 60.000 K).


    As raras estrelas do tipo espectral R são ricas em CH e CN, enquanto as do tipo S contêm óxido de zircônio (ZrO2). Ambos os tipos apresentam raias de metais neutros em seus espectros.

    O espectro produzido quando uma luz atravessa uma fenda e depois um prisma de vidro é contínuo. Se houver gás que absorva muito a luz visível no seu caminho, a forma característica de um arco-íris será interrompida por uma série de linhas escuras.

    Isso acontece porque os elétrons ocupam níveis energéticos bem distintos nos átomos dos elementos químicos, mas quando o átomo absorve ou emite energia há transições entre níveis adjacentes. Essas transições produzem linhas de absorção ou de emissão nos espectros, como as do átomo de hidrogênio.




    Fonte: Lamentamos, mas não temos certeza a quem este artigo pertence. Por favor responsável, fale conosco, para assim colocarmos os devidos créditos. Acreditamos que possa ser de uma dessas fontes:

    Revista "Super Interessante"; Revista "PLANETA"; Revista "MUNDO ESTRANHO"; http://ciencia.hsw.uol.com.br, ou da Revista VEJA.


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